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A Hipnose

A hipnose é um estado alterado de consciência; alterado em comparação com os estados ordinários de vigília e de sono, com elevada receptividade à sugestão por parte da pessoa que nele ingressa, por si mesma ou com intervenção de outra pessoa ou equipamento.

cortexO córtex cerebral corresponde à camada mais externa do cérebro, sendo rico em neurônios é o local do pensamento neural mais sofisticado e distinto. O córtex cerebral humano tem 1-4 mm de espessura, com uma área de 0,22m2 (se fosse disposto num plano) e desempenha um papel central em funções complexas do cérebro como na memória, atenção, consciência, linguagem, percepção e pensamento.

A pessoa hipnotizada não está dormindo, ela está em concentração profunda e com a memória ampliada e focada com mais precisão. Ao contrário do que se pensa, há muita atividade em todo o córtex cerebral durante a hipnose.

O termo “hipnose” (grego hipnos = sono + latim osis = ação ou processo) deve o seu nome ao médico e pesquisador britânico James Braid (1795-1860), que o introduziu, pois acreditou tratar-se de uma espécie de sono induzido. (Hipnos era também o nome do deus grego do sono). Quando tal equívoco foi reconhecido, o termo já estava consagrado e permaneceu no uso científico e popular.

Contudo, mais uma vez, deve ficar claro que hipnose não é uma espécie ou forma de sono. Os dois estados de consciência são claramente distintos e a tecnologia moderna pode comprová-lo de inúmeras formas, inclusive pelos eletroencefalógrafos de ambos, que mostram ondas cerebrais de formas, freqüências e padrões distintos para cada caso.

O estado hipnótico é também chamado transe hipnótico.

Quase todo mundo já experimentou alguma forma de hipnose em algum momento de sua existência. Pense numa vez em que você dirigia em uma estrada e se pegou por um breve momento inconsciente daquilo que estava fazendo, ou uma vez em que você estava tão envolvido em um programa de televisão que nem se deu conta quando alguém entrou na sala. Na verdade, toda hipnose é auto-hipnose e o paciente está sempre no controle.

Não há nada a temer, porque a hipnose é um processo completamente seguro. O relaxamento que você vai experimentar será agradável e regenerador.

HISTÓRIA


18277_zoomNa antiguidade a sociedade Egípcia (milhares de anos antes de Cristo) utilizava a hipnose em seus templos do sono. As doenças eram tratadas após o paciente ser submetidos ao transe hipnótico. Existem provas arqueológicas de tal prática onde vasos de cerâmica mostram figuras de médicos fazendo intervenções cirúrgicas de (para a época) grande parte, o que sabemos ser muito difícil, pois a anestesia não era conhecida. Tais médicos eram representados emitindo sinais mágicos ou raios dos olhos como forma de estereotipar a ação do hipnotizador. Tal procedimento (hipnose médica) tem uma melhor palavra, “sofrologia” (muito mais utilizada em outros países Latino-americanos) oriunda da deusa grega Sofrosine. Ao pé da letra: Sos (tranqüilo), phren (mente) e  logia (ciência), ciência da mente tranqüila.

Da mesma forma, na antiga Grécia, os enfermos eram postos a dormir em templos e despertavam curados. Os gregos iam aos templos de Sofrosine e após entrarem em transe ouviam os sermões dos sacerdotes dessa deusa que diziam ter poderes curativos, após o procedimento os enfermos retornavam às suas atividades gozando de plena saúde e alegria. Também na Índia, Caldéia, china, Roma, Pérsia a hipnose era utilizada para conseguir fenômenos psíquicos (provavelmente hipermnésia e anestesia), que na época eram considerados místicos, esotéricos, paranormal ou sobrenatural. Muitos documentos da antiguidade provam o uso da técnica por sacerdotes, médicos, xamãs entre outras pessoas importantes dentro de tais sociedades. É importante deixar claro que, em boa parte dessas sociedades (sempre muito ligadas a sua religião), a medicina era muito influenciada por fatores espirituais e quase sempre praticada por sacerdotes; a “arte de curar” era muito distante do aspecto técnico-científico encontrado hoje em dia. De uma maneira geral, se a pessoa fosse curada o mérito era totalmente dado ao sacerdote, caso não fosse, era por sua falta de fé.

Na idade Média pessoas foram até mesmo mortas por fazerem uso da hipnose, a visão mais restritiva da Santa Inquisição principalmente, os identificava apenas como bruxos ou satanistas e como tais eram perseguidos. Tal fato é um tanto insólito, pois era comum o uso do “Toque Real”, que nada mais era que fazer a pessoa crer que ficaria curada com o toque das mãos de seu soberano: “Le Roy te teuche. Dieus te guerys” (o Rei te toca. Deus te cura). Hoje sabemos que isso nada mais é que uma técnica hipnótica. Ainda hoje a hipnose (assim como a Psicologia, Psiquiatria, Psicanálise, psicoterapias diversas, etc.), recebe muitas críticas por certos segmentos de algumas religiões e seus seguidores são proibidos de fazer uso desta técnica; algumas dessas religiões utilizam muitas técnicas hipnóticas inseridas na liturgia, oratória, música, repetição, tom de voz, etc., sem que seus seguidores sequer saibam (e possam se defender), mas, no entanto, propagam injúrias contra aqueles que a utilizam (com o consentimento de seu cliente) de modo terapêutico.

Certamente, uma boa parte da história contribuiu para o fortalecimento de uma falsa “identidade mística” da hipnose; apenas no século XVIII é que a hipnose passa a perder esta tal identidade e, hoje sabemos que o estado de transe hipnótico é, tão somente, um estado diferente de funcionamento cerebral que pode até mesmo, ser deflagrado em diversas situações corriqueiras, independente de o objetivo ser hipnotizar alguém ou não. Mesmo tendo sido utilizada (e até hoje ainda é) em cerimônia religiosa, esotérica ou mística, é inegável seu aspecto técnico-científico.

Em agosto de 1889, foi realizado em Paris o I congresso Internacional de Hipnotismo Experimental e Terapêutico com a apresentação de 223 estudiosos de 23 países. O Brasil teve a honra de levar dois profissionais de saúde: Doutor Joaquim correia de Figueiredo e Doutor Ramos Siqueira, ambos os médicos do estado do rio de Janeiro.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) as situações extremas a que os médicos eram postos a trabalhar reacenderam o uso e o valor prático e científico da hipnose. Segundo a literatura existente, acerca da hipnoanalgesia alguns jovens feridos e/ou mutilados, eram postos em transe tanto para alívio de suas dores como para execução de cirurgias. Novas pesquisas foram feitas ratificando o valor da técnica hipnótica no alívio das tensões, na anestesia e no conforto emocional.

Hipnose no Brasil

Skeleton X-Ray - Locked MindNo Brasil a hipnose ficou proibida no decorrer do governo do então Presidente Jânio Quadros, num ato presidencial que contrariava os principais conselhos de saúde brasileiros, além de atrasar muito o trabalho sério e as pesquisas da área. Entretanto, na década seguinte, com o advento das perseguições militares, algo muito importante foi confirmado sobre a hipnose: È sabido que alguns agentes da repressão do governo tentaram utilizar o transe hipnótico para obter informações de presos políticos; a única informação importante obtida nessas tentativas foi que a hipnose legítima não pode se obtida contra a vontade da pessoa ou em situações de pressão psicológica. O procedimento utilizado pelos agentes de repressão, vulgarmente conhecidos pela maior parte da população como “lavagem cerebral”, é baseado em uma técnica de profundo esgotamento nervoso (através de tortura física e/ou psicológica) e apenas torna a vítima incapaz de reagir negativamente às determinações do torturador, sendo assim, obrigaa a concordar com o que lhe é imposto, independente de ser verdade ou não. Tal técnica é considerada tortura e, como tal, é passível de punção como crime segundo a legislação de nosso país. Existe a possibilidade de obter um “transe químico” com a administração de Barbitúricos (vulgarmente chamado de “soro da verdade”) e alguns determinados psicotrópicos.

A hipnose passou a ser no Brasil, legalmente utilizada primeiramente por odontólogos (dentistas) a cerca de quarenta anos, depois por médicos psiquiatras, psicólogos e terapeutas; hoje existem inclusive no Brasil, departamentos de polícia com a chamada Hipnose Forense que busca esclarecer crimes através da técnica do reforço da memória (hiperminésia) das vítimas de estupro e rapto principalmente, dando assim o conforto às pessoas, de que criminosos podem ser mais facilmente localizados e não mais ameacem suas vidas. Assim sendo, pode-se dizer que o Brasil está na vanguarda do uso da hipnose com fins realmente importantes para a sociedade, com Psicólogos, Psiquiatrias, Dentistas, Terapeutas, cirurgiões e Policiais se utilizando de um procedimento técnico-científico legítimo, com resultados práticos muito bons, a disposição da população brasileira.

É importante dizer que o uso da hipnose por pessoas que não estejam legalmente inscritas em um sindicato, conselho de classe ou órgão profissional reconhecido pelo Ministério do Trabalho, não as torna apta a tratar pessoas. Apenas pessoas devidamente capacitadas podem utilizar a hipnose de forma terapêutica. Não se deve confundir Hipnose de Palco com Hipnose Clínica, assim como um hipnólogo não pode tratar do bem-estar de ninguém.

                    Perguntas e Respostas

O que é Hipnose clínica?

Quando se usa a hipnose para tratar um problema físico ou psicológico, chamamos o processo de hipnose clínica ou de hipnoterapia.

Em quais problemas físicos ou emocionais a hipnose pode ser usada?

  • Na psicologia: tabagismo, emagrecimento, fobias, depressão, ansiedade, transtorno do desejo sexual, alcoolismo, problemas de fala, terapia de regressão de idade, dores crônicas, auto-estima e fortalecimento do ego e melhoras na concentração ou memória.
  • Na medicina: psiquiatria, anestesia e cirurgia, doenças psicossomáticas, ginecologia e obstetrícia, controle de sangramento, tratamento de queimaduras, dermatologia, pediatria (enurese noturna, pesadelos, timidez e inadaptação), controle da dor, controle de vícios.
  • Na odontologia: medo de ir ao dentista, cirurgia odontológica, anestesia hipnótica, bruxismo, controle de sangramento, controle da salivação excessiva e da dor, etc.

Há condições físicas ou emocionais nas quais não está indicado o tratamento pela hipnose?    

O profissional encarregado deve tomar a decisão quanto à aplicabilidade do tratamento da hipnose. Ele deve obter um histórico completo do paciente para determinar se existem condições físicas ou emocionais que contra-indiquem o uso da hipnose. O profissional provavelmente não utilizaria a hipnose com uma pessoa que apresentasse doença coronária grave ou tivesse condições físicas que pudesse mascarar uma doença. Nos problemas emocionais severos como a psicose e estados “borderline” (transtorno de personalidade caracterizado por desregulação emocional, raciocínio “8 ou 80” estremo e relações caóticas), a hipnoterapia pode ser inadequada. Também deve ser evitada nos casos de epilepsia.

O que acontece se eu não conseguir sair do transe hipnótico?

Nas mãos de um hipnólogo qualificado, não haverá perigo nenhum na utilização da hipnose. Como o paciente está no controle, não há dificuldade em sair do estado hipnótico.

Posso aprender a me hipnotizar?

Toda hipnose é uma auto-hipnose. O profissional assume o papel de agente ou instrutor para ajudá-lo a conseguir este estado agradável. Alguns hipnólogo gravam fitas para seus pacientes, para serem usadas entre as seções ou no lugar de seções repetitivas. Um bom exemplo é o uso da hipnose no tratamento de dores crônicas, onde muitas vezes, fitas são usadas pelo paciente conforme a sua necessidade.

A hipnose é considerada uma técnica esotérica?

Não, definitivamente. Hipnose é um fenômeno neurofisiológico legítimo, onde o funcionamento do cérebro possui características muito especiais. Tais características, únicas, podem ser verificadas por alterações em eletroencefalogramas no decorrer de todo estado hipnótico e visivelmente por manifestações não presentes em outros estados de consciência, como rigidez muscular completa, anestesia, hipermnésia (reforço da memória) e determinados tipos de alterações de percepção. A hipnoterapia usa as vantagens de trabalhar com o cérebro neste estado para ajudar as pessoas.

Que vantagens têm a Hipnoterapia?

Uma pessoa hipnotizada pode lembrar-se com mais detalhes de situações passadas (regressão de memória) que explicam suas dificuldades emocionais e/ou sociais do presente e, desta forma, otimizar (reforça) seu tratamento terapêutico, pois, uma das dificuldades dos procedimentos terapêuticos tradicionais é lidar com o “esquecimento” de determinados  fatos do passado que atrasam o desenvolvimento da terapia.

É verdade que uma pessoa hipnotizada obedece a qualquer tipo de ordem dada?

Não funciona desta maneira. O cérebro da pessoa está sempre pronto para despertá-lo sem ocorrer algo ofensivo, que seja contra sua moral ou costumes.

 

Pode alguém ser hipnotizado sem sua permissão?

É muito difícil hipnotizar uma pessoa que não queira cooperar ou que não confie no hipnólogo, pois, a função do cérebro é sempre proteger e não se expor a qualquer tipo de situação desconhecida. O tipo de atividade cerebral que ocorre quando uma pessoa está sendo ameaçada, oprimida, assustada ou desconfiada, inviabiliza o transe hipnótico. É certo que existem pessoas que tem uma sensibilidade muito grande à indução hipnótica e, essas, poderiam entrar em transe, mesmo não querendo.

Se o terapeuta passar mal e desmaiar, eu ficarei para sempre em transe?

Não. Se algo ocorrer e a pessoa não for trazida do transe, ela continuará em processo de relaxamento até chegar o sono fisiológico (sono comum), cochilará Por alguns instantes e acordará normalmente; ou fará o processo inverso. Todo este processo é concluído em minutos.

Existe algum risco em fazer um tratamento terapêutico que use a hipnose?

Apenas se o profissional não possuir um treinamento tanto teórico quanto prático, executado de forma responsável.

É Legal utilizar hipnose para tratamento de problemas emocionais, sociais, etc.?

Sim. A hipnose é hoje legalmente reconhecida e utilizada no Brasil por profissionais de Medicina, Odontologia, Psicologia, do sindicato dos Terapeutas e possuem diversas outras associações profissionais sérias em todo o mundo que estudam e utiliza a hipnose como ferramenta produtiva em seus campos de trabalho.

Então a hipnose poderia resolver tudo sozinha?

Não. A hipnose é uma ferramenta que deve ser usada dentro de um processo terapêutico muito mais amplo; hipnotizar a pessoa e apenas eliminar determinados sintomas, simplesmente sem investigar a causa de tais sintomas, não resolve seus problemas e pode até mesmo disfarçar (ou deflagrar) um problema maior.

A hipnose pode tirar meus medos de uma só vez, rapidamente?

Em alguns casos sim, especialmente naquele grupo de pessoas mais sensíveis à indução hipnótica. Mas este tipo de terapia, apenas sintomática, é improdutiva e irresponsável. Muitas vezes os sintomas apresentados por clientes são apenas como “a ponta do iceberg”. É necessária toda uma investigação para que a correta aplicação de técnicas pertinentes seja oferecida. A terapia não busca o simples alívio dos sintomas, mas sim a investigação das causas dos problemas para que os sintomas não mais ocorram nem se transformem em outros piores. Muitas vezes uma mera “dorzinha” é associada, num evento de regressão de memória, a memória triste da infância ou relacionamentos mal solucionados.

                       Mitos sobre a hipnose

  • Perda da consciência

Um dos maiores mitos da hipnose é que você perderá a consciência. A hipnose é um estado alterado de consciência, (você muda da consciência de vigília para a consciência hipnótica), porém não se perde a consciência. Você ficará ciente de tudo em cada momento e ouvirá tudo que o hipnólogo estiver dizendo. Consciência de vigília é quando você está alerta para o que acontece ao seu redor; consciência hipnótica é quando você se volta para o seu próprio interior.

  • Enfraquece a vontade

A sua vontade não se enfraquecerá ou mudará de forma alguma. Você está no controle e, se desejar por qualquer razão sair do estado hipnótico, pode fazer isso simplesmente abrindo os olhos. Você não pode ser forçado a fazer nada contra a sua vontade. Os hipnólogos de palco gostam que a platéia acredite que eles têm o controle absoluto sobre os seus sujeitos. Os hipnoterapeutas deixam claro que o paciente tem o controle.

  • Fala espontânea

O paciente não começa espontaneamente a falar ou revelar informações que gostaria de manter em segredo. Você pode falar durante a hipnose e seu hipnólogo pode querer usar uma técnica que inclui conversa para ajudá-lo em seu problema.

  • Acaba-se dormindo

A hipnose não é igual ao sono. Você não vai dormir. O padrão do eletroencefalograma durante a hipnose é diferente do padrão do eletroencefalograma durante o sono.

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